A Casa Faminta.

Great Tower of Babel
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Lia ignora os boatos sobre uma casa maldita e entra para investigar. No porão, descobre sinais de uma criatura antiga alimentada pelo medo da família. Ao encará-la, provoca um incêndio, mas a casa sobrevive e volta ao silêncio, agora chamando a próxima vítima. A cidade inteira jurava que aquela casa no fim da rua estava morta por dentro, mas ninguém explicou por que ela gemia quando o vento encostava nas janelas No bairro, todo mundo passava do outro lado da calçada. Diziam que, depois da meia-noite, luzes acendiam sozinhas no segundo andar e passos leves atravessavam o assoalho como se alguém ainda morasse ali Lia, curiosa como quem não sabe desistir, decidiu rir do medo dos outros. Gravou tudo no celular e entrou pela porta torta com uma lanterna na mão e coragem fingida no rosto No corredor, encontrou fotos antigas rasgadas no meio. Em todas elas havia a mesma família, a mesma casa e uma figura borrada ao fundo, alta demais para ser gente. No rodapé de uma imagem, uma frase quase apagada dizia não desça para o porão Mas claro que Lia desceu A escada estava coberta de poeira e marcas frescas. Frescas mesmo. Como se alguém tivesse passado ali minutos antes, arrastando algo pesado. No fundo, uma porta de madeira batia sozinha, toc toc toc, no ritmo de um coração nervoso Quando a luz varreu o porão, ela viu um quarto escondido atrás da parede. Havia brinquedos quebrados, velas velhas e desenhos infantis mostrando uma criatura presa dentro da casa, alimentada por medo e silêncio Foi aí que o celular dela começou a tocar. Número desconhecido. Ao atender, escutou a própria voz sussurrando do outro lado: corre, porque ele já acordou Lia virou de uma vez e viu o armário aberto. Nada dentro. Ou quase nada. Porque do escuro surgiu uma mão magra, branca demais, com dedos compridos e unhas encharcadas de terra. Depois veio o rosto. Sem olhos. Só um sorriso lento, como se a casa estivesse finalmente respirando Ela disparou escada acima, mas a porta da frente tinha desaparecido. No lugar, apenas parede. A casa estava mudando. Os corredores se esticavam, os quartos se repetiam, e cada janela mostrava o mesmo quintal, a mesma noite, o mesmo medo No último cômodo, Lia encontrou a avó de pé, imóvel, olhando para a parede. A velha virou devagar e chorou sangue ao dizer que a casa não era assombrada. Ela estava apenas faminta Então tudo fez sentido. Os sumiços. Os ruídos. As fotos rasgadas. A casa não guardava um fantasma. Guardava um bicho antigo, trancado há décadas pela própria família, e alimentado com qualquer um que entrasse curioso demais Lia pegou a lanterna e atirou contra o espelho rachado do quarto. A rachadura brilhou. A criatura urrou. A casa inteira tremeu como se estivesse acordando de um sono longo e violento Quando o incêndio começou, os vizinhos viram fumaça saindo do telhado e ouviram gritos que não pareciam humanos. No entanto, quando os bombeiros chegaram, só encontraram paredes pretas, móveis intactos e um único quarto sem poeira nenhuma Dias depois, a casa voltou ao silêncio. A janela do segundo andar continua fechada. A porta continua torta. Mas quem passa de noite diz ouvir uma menina sussurrando lá dentro, como se chamasse pelo próximo curioso E o pior? Na parede da frente, apareceu uma nova placa com letras tortas dizendo bem-vindo ao lar #terror, #horror, #contodeterror, #suspense, #casassombrada,

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