Morfina de Três Em Três

Alexandre Reis
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Tinhas riso a iluminar sem pedir pra se impor bastava só respirar e a sala tinha esse calor A palavra no lugar quando o medo ia surgir a tua mão sempre a chegar antes de eu até pedir A palavra certa em falta chegava antes de eu chamar a mão no escuro, pronta como quem sabe ficar A morfina era o momento de três em três horas e meia o relógio perdia o tempo e a vida perdeu a veia A angústia era dela a minha era amor sem saída outro nome para um peito que não sabe salvar a vida Quando a dor nos veio chamar o relógio partiu em três eu fiquei a funcionar sem saber bem quem me vês Morfina de três em três o minuto virou mar eu deixei de ver os meses e passei só a aguentar Quando o fim veio sentar-se eu pedi no meu trabalho três meses de ausência e o mundo ficou a talho A morfina era o momento de três em três horas e meia o relógio perdia o tempo e a vida perdeu a veia A angústia era dela a minha era amor sem saída outro nome para um peito que não sabe salvar a vida Tu sofrias sem te exibir com educação e cor a dor vinha te partir e tu seguravas o amor Ela sofria sem queixar-se como visita bem recebida com educação na dor sem lhe entregar a mesa de ida A tua risada abria manhãs a frase trocada virava sinal punha a mão antes de eu pedir a mão e tudo em volta perdia o banal A morfina era o momento de três em três horas e meia o relógio perdia o tempo e a vida perdeu a veia A angústia era dela a minha era amor sem saída outro nome para um peito que não sabe salvar a vida A tua risada abria manhãs e eu ficava a ver cair cada coisa que parecia firme até já nem sei fingir Se a dor me chamou de perto tu chamaste-me a ficar e no meio deste aperto só te soube amar A morfina era o momento de três em três horas e meia o relógio perdia o tempo e a vida perdeu a veia A angústia era dela a minha era amor sem saída outro nome para um peito que não sabe salvar a vida A morfina era o momento de três em três horas e meia e eu guardei no silêncio a tua luz na veia