Outros Salvam Os Heróis
Voltou de corpo inteiro,
com o olhar por encontrar.
Trouxe medalhas de guerreiro...
e noites por contar.
A porta ficou fechada,
o mundo voltou a rir.
Só uma guerra começava...
sem ninguém a aplaudir.
Não havia mais canhões,
nem ordens para cumprir.
Só perguntas sem respostas...
e um silêncio por vestir.
Há guerras que fazem barulho,
há guerras que fazem calar.
Mas as que ficam por dentro
aprendem a não passar.
Vêm sem farda, sem nome,
sem ninguém para apontar.
E quem traz alguém de volta
também tem de se salvar.
Uns entram vivos na História,
com bandeiras a subir.
Outros salvam os heróis...
sem ninguém os ver sorrir.
Nunca pegou numa arma,
nem marchou por um país.
Mas venceu todas as noites...
onde ele nunca se viu feliz.
Não curou bala nem sangue,
nem soube o que era lutar.
Só juntou homem por homem...
até o voltar a encontrar.
Há vitórias sem desfile.
Há coragem sem lugar.
A paz nunca chega pronta...
alguém tem de a fabricar.
Há guerras que fazem barulho,
há guerras que fazem calar.
Mas as que ficam por dentro
aprendem a não passar.
Vêm sem farda, sem nome,
sem ninguém para apontar.
E quem traz alguém de volta
também tem de se salvar.
A História escreve batalhas...
que o tempo deixou passar.
Mas quem devolve um ser humano...
quem aprende a nomear?
Deram-lhe ferro ao peito,
por ter voltado de pé.
Ela ganhou noites sem sono...
e ninguém perguntou porquê.
Há heróis que salvam na guerra,
há heróis que salvam depois.
Uns entram vivos na História...
outros salvam os heróis.
Há guerras que não usam farda,
mas deixam marca no ar.
Não fazem sirene nem tiro,
fazem a casa encolher.
Vêm sem nome, sem bandeira,
sem ninguém para gritar.
E quem puxa alguém da margem
também se tem de puxar.
Quem volta traz cicatrizes,
quem espera aprende a ver.
Há batalhas que acabam no livro...
outras só começam no viver.
Nunca empunhou uma arma,
nem aprendeu a matar.
Mas foi ela quem venceu...
a guerra que ficou no lar.
A guerra acaba no campo,
o silêncio entra no lar.
Há quem vença uma batalha,
e há quem o ensine a ganhar.
A guerra fez-se ouvir,
até o último clarim.
Mas o silêncio a seguir...
nunca chegou ao fim.