Nós Somos A Força Oculta

Alexandre Reis
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Desliga a luz da cidade, Que o dia já se perdeu, A noite é a nossa verdade, Sob o mesmo escuro céu. O vapor sobe do chão, A engrenagem não para, Seguramos o salão, Nesta rotina tão rara. O néon pisca no aço, A noite pesa no braço, Seguramos o cansaço, Neste silêncio de espaço. Nós somos a força oculta, Que faz a cidade andar, A escuridão não nos julga, Nem nos deixa descansar. Enquanto a luz não raiar, O ferro é o nosso pão, Ninguém nos vem compensar, Na calada do salão. A cafeína no sangue, O relógio a arrastar, Sem que a força estanque, Até o dia raiar. O silêncio é uma arma, A máquina é o nosso rei, Nesta rotina sem alma, Onde a noite dita a lei. Nós somos a força oculta, Que faz a cidade andar, A escuridão não nos julga, Nem nos deixa descansar. O mundo dorme descansado, Sem saber quem está de pé, Neste turno carregado, Onde a noite não dá fé. Mãos sujas de ferro e pó, A cidade não quer ver, Ficamos aqui tão só, Para o mundo não morrer. Silêncio do corredor, Paredes frias de aço, Escondemos toda a dor, A cada novo passo. O sol ameaça entrar, As luzes vão apagar, É tempo de recolher, Sem nada a celebrar. Nós somos a força oculta, Que faz a cidade andar, A escuridão não nos julga, Nem nos deixa descansar. Mãos pesadas no trabalho, A servir este motor, A vida é um fino retalho, De cansaço e de suor. Trabalho sem ter glória, Na calada do salão, Escrevemos esta história, Com o suor no chão. O sol nasce lá no fundo, A cidade acorda agora, Mas quem segurou o mundo, Vai para a sombra sem glória. Quando a cidade acordar, Ninguém vai ver quem passou, Mas o mundo a girar, Foi a nossa mão que segurou. O mundo acorda a pensar, Que a vida se move a sós, Mas a cidade a girar, Deve tudo a cada um de nós.