Nós Somos A Força Oculta
Desliga a luz da cidade,
Que o dia já se perdeu,
A noite é a nossa verdade,
Sob o mesmo escuro céu.
O vapor sobe do chão,
A engrenagem não para,
Seguramos o salão,
Nesta rotina tão rara.
O néon pisca no aço,
A noite pesa no braço,
Seguramos o cansaço,
Neste silêncio de espaço.
Nós somos a força oculta,
Que faz a cidade andar,
A escuridão não nos julga,
Nem nos deixa descansar.
Enquanto a luz não raiar,
O ferro é o nosso pão,
Ninguém nos vem compensar,
Na calada do salão.
A cafeína no sangue,
O relógio a arrastar,
Sem que a força estanque,
Até o dia raiar.
O silêncio é uma arma,
A máquina é o nosso rei,
Nesta rotina sem alma,
Onde a noite dita a lei.
Nós somos a força oculta,
Que faz a cidade andar,
A escuridão não nos julga,
Nem nos deixa descansar.
O mundo dorme descansado,
Sem saber quem está de pé,
Neste turno carregado,
Onde a noite não dá fé.
Mãos sujas de ferro e pó,
A cidade não quer ver,
Ficamos aqui tão só,
Para o mundo não morrer.
Silêncio do corredor,
Paredes frias de aço,
Escondemos toda a dor,
A cada novo passo.
O sol ameaça entrar,
As luzes vão apagar,
É tempo de recolher,
Sem nada a celebrar.
Nós somos a força oculta,
Que faz a cidade andar,
A escuridão não nos julga,
Nem nos deixa descansar.
Mãos pesadas no trabalho,
A servir este motor,
A vida é um fino retalho,
De cansaço e de suor.
Trabalho sem ter glória,
Na calada do salão,
Escrevemos esta história,
Com o suor no chão.
O sol nasce lá no fundo,
A cidade acorda agora,
Mas quem segurou o mundo,
Vai para a sombra sem glória.
Quando a cidade acordar,
Ninguém vai ver quem passou,
Mas o mundo a girar,
Foi a nossa mão que segurou.
O mundo acorda a pensar,
Que a vida se move a sós,
Mas a cidade a girar,
Deve tudo a cada um de nós.