Quanto Tempo Demora O Tempo
Tenho uma frase guardada,
Nesta mente a remoer,
Uma questão encravada,
Que me impede de viver.
Olho a noite na janela,
E a sombra do meu chão,
Procurando a resposta dela,
Na calada da razão.
O segundo cai no ar,
Sem ter pressa de partir,
O silêncio a arrastar,
Sem me deixar fugir.
A borracha do passado,
Perdeu a força de apagar,
Deixando o meu lado,
Para sempre a recordar.
A hora avança devagar,
Nesta estrada sem saber,
Até quando vou carregar,
O que devia morrer?
Quanto tempo demora o tempo,
A esquecer o que viveu?
Quanto dura este lamento,
Do que a vida me perdeu?
Quanto tempo demora o tempo,
A esquecer o que passou?
Quanto dura este lamento,
Daquilo que não ficou?
Rabisquei a minha vida,
Com a tinta da ilusão,
Deixando a porta aberta,
Para esta solidão.
Mas o mapa do futuro,
Tem a cor do meu passado,
Neste caminho tão duro,
Onde fico encurralado.
O relógio não perdoa,
A memória não se vai,
A pergunta que ressoa,
É a folha que não cai.
Quanto tempo demora o tempo,
A esquecer o que viveu?
Quanto dura este lamento,
Do que a vida me perdeu?
Quanto tempo demora o tempo,
A esquecer o que passou?
Quanto dura este lamento,
Daquilo que não ficou?
Talvez o tempo seja cego,
E não saiba o que guardar,
E neste peito onde me meço,
Só saiba acumular.
Escrevi tudo na pedra,
O tempo não veio lavar,
E a ferida que se medra,
Não se deixa fechar.
A resposta não vem hoje,
Nem virá no meu amanhã,
Enquanto a vida me foge,
Nesta espera que é vã.
Quanto tempo demora o tempo,
A esquecer o que viveu?
Quanto dura este lamento,
Do que a vida me perdeu?
Quanto tempo demora o tempo,
A esquecer o que passou?
Quanto dura este lamento,
Daquilo que não ficou?
Deixa o relógio bater,
Deixa a noite fechar,
O tempo não vai esquecer,
O que ensinou a guardar.
Busco a trégua da borracha,
Para apagar o que vivi,
Mas a alma não a acha,
Desde o dia em que te perdi.
Se o tempo não aprende a apagar,
O que a vida deixou em mim,
A pergunta vai continuar,
Mesmo depois do fim.