Às quatro da manhã

Alexandre Reis
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O silêncio do meu quarto, Liga a mente a alto som, Deste escuro já me farto, Onde nada parece bom. O relógio vai contando, Os minutos sem parar, E a cabeça ruminando, Tudo o que devia calar. Reviso frases antigas, Conversas de outro tempo, Nesta teia de tirigas, Que me traz este lamento. Uma decisão errada, Volta hoje a depor, Nesta noite congelada, Que me aumenta esta dor. O escuro faz-se tribunal, A cama vira banco frio, Neste julgamento igual, Onde enfrento este vazio. Às quatro da manhã, Meus erros vêm depor, Nesta hora que é tão vã, Aumentando o meu terror. O relógio avança incerto, Impiedoso a caminhar, Neste quarto tão aberto, Onde não posso escapar. O futuro traz o medo, Do que vai acontecer, Guardo aqui este segredo, Sem saber o que fazer. O dia vem aí perto, A alvorada vai chegar, Com o olho bem aberto, Sem conseguir descansar. A mente junta o passado, Com a dúvida do amanhã, Deixando o peito gelado, Nesta insónia que é tão fã. Às quatro da manhã, Meus erros vêm depor, Nesta hora que é tão vã, Aumentando o meu terror. O relógio avança incerto, Impiedoso a caminhar, Neste quarto tão aberto, Onde não posso escapar. Sombra presa no teto, Conta a história do fim, Neste espaço tão afeto, Que se volta contra mim. A insónia é uma sentença, Que me obriga a escutar, Toda a culpa tão intensa, Que não sei como fechar. A luz azul do relógio, Mostra a hora a passar, Perdeu-se todo o elogio, Na urgência de acordar. Às quatro da manhã, Meus erros vêm depor, Nesta hora que é tão vã, Aumentando o meu terror. O relógio avança aberto, Impiedoso a escapar, Neste quarto tão incerto, Onde não posso caminhar. O sol começa a nascer, A sessão vai terminar, Sem o peito adormecer, O dia vai começar. Quando a cidade acordar, Vou vestir a minha cara, Mas a mente a depor, Nesta insónia não para.