Às quatro da manhã
O silêncio do meu quarto,
Liga a mente a alto som,
Deste escuro já me farto,
Onde nada parece bom.
O relógio vai contando,
Os minutos sem parar,
E a cabeça ruminando,
Tudo o que devia calar.
Reviso frases antigas,
Conversas de outro tempo,
Nesta teia de tirigas,
Que me traz este lamento.
Uma decisão errada,
Volta hoje a depor,
Nesta noite congelada,
Que me aumenta esta dor.
O escuro faz-se tribunal,
A cama vira banco frio,
Neste julgamento igual,
Onde enfrento este vazio.
Às quatro da manhã,
Meus erros vêm depor,
Nesta hora que é tão vã,
Aumentando o meu terror.
O relógio avança incerto,
Impiedoso a caminhar,
Neste quarto tão aberto,
Onde não posso escapar.
O futuro traz o medo,
Do que vai acontecer,
Guardo aqui este segredo,
Sem saber o que fazer.
O dia vem aí perto,
A alvorada vai chegar,
Com o olho bem aberto,
Sem conseguir descansar.
A mente junta o passado,
Com a dúvida do amanhã,
Deixando o peito gelado,
Nesta insónia que é tão fã.
Às quatro da manhã,
Meus erros vêm depor,
Nesta hora que é tão vã,
Aumentando o meu terror.
O relógio avança incerto,
Impiedoso a caminhar,
Neste quarto tão aberto,
Onde não posso escapar.
Sombra presa no teto,
Conta a história do fim,
Neste espaço tão afeto,
Que se volta contra mim.
A insónia é uma sentença,
Que me obriga a escutar,
Toda a culpa tão intensa,
Que não sei como fechar.
A luz azul do relógio,
Mostra a hora a passar,
Perdeu-se todo o elogio,
Na urgência de acordar.
Às quatro da manhã,
Meus erros vêm depor,
Nesta hora que é tão vã,
Aumentando o meu terror.
O relógio avança aberto,
Impiedoso a escapar,
Neste quarto tão incerto,
Onde não posso caminhar.
O sol começa a nascer,
A sessão vai terminar,
Sem o peito adormecer,
O dia vai começar.
Quando a cidade acordar,
Vou vestir a minha cara,
Mas a mente a depor,
Nesta insónia não para.