Procuro O Olhar Alheio

Alexandre Reis
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Publico a minha foto, Para ver quem vai olhar, Neste espaço tão remoto, Onde tento me mostrar. Atualizo a minha página, A cada segundo a ver, Nesta luz que me alucina, Sem conseguir conter. Procuro a aprovação, Num coração digital, Que me enche o salão, De forma tão irreal. Se o número não sobe, Sinto a vida a cair, Nesta teia que me engole, E não me deixa sair. Um clique para validar, O meu valor neste chão, Fico a noite a esperar, Por um gesto sem razão. Procuro no olhar alheio, A prova que existo eu peço, Neste vazio tão cheio, Onde me vendo e me meço. O ecrã brilha na mão, Mas o peito continua, Preso nesta ilusão, Nesta mente que é tão sua. Mostro o riso decorado, O cenário mais perfeito, Escondendo o meu lado, Que carrega este defeito. Vendo a vida em vitrine, Para a plateia aplaudir, Mas ninguém que me ilumine, Me ensina a sorrir. Conto as vistas no ecrã, Meço a minha importância, Nesta busca que é tão vã, Que me aumenta a distância. Procuro no olhar alheio, A prova que existo eu peço, Neste vazio tão cheio, Onde me vendo e me meço. O ecrã brilha sem chão, Mas o peito continua, Preso nesta ilusão, Nesta mente que é tão crua. Luz azul na minha cara, Alimenta este motor, Esta busca nunca para, Para esconder a minha dor. Se desligo a aplicação, Fico a sós com o meu fim, Sem saber se esta nação, Ainda se lembra de mim. Mapeei a minha vida, Em função do que agrada, Esta conta está perdida, Nesta marcha alucinada. Procuro no olhar alheio, A prova que existo eu peço, Neste vazio tão cheio, Onde me vendo e me meço. O ecrã brilha sem chão, Mas o peito continua, Preso nesta ilusão, Nesta mente que é tão crua. Notificação a entrar, Sinal de vida a bater, Tudo para disfarçar, O medo de desaparecer. Quando a luz se apagar, E o ecrã ficar escuro, Quem me vem validar, Neste mundo tão duro?