Pinto O Passado De Ouro

Alexandre Reis
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Pinto o ontem com ouro, Numa moldura sem dor, Guardo o passado em tesouro, Como se fosse melhor. Esqueço a dor da ferida, Que o tempo antigo deixou, Nesta memória fingida, Do que atrás se ficou. Idealizo a infância, O tempo que já passou, Vendo com esta distância, O que a vida roubou. Mas a verdade era dura, Também havia aflição, Nesta falsa procura, De uma boa ilusão. A saudade é uma armadilha, Que nos prende ao ontem, Uma falsa maravilha, Onde os passos se escondem. Pinto o passado de ouro, Para fugir ao presente, Neste falso tesouro, Que engana toda a gente. Vivo agarrado à memória, Perdendo o dia de hoje, Preso na mesma história, Enquanto o tempo me foge. A dor de antigamente, A mente prefere apagar, Deixando só o presente, Com a vontade de voltar. Mas o caminho é em frente, A estrada não anda para trás, E este olhar insistente, Não me traz nenhuma paz. O ontem já não existe, É só uma sombra no ar, Esta lembrança tão triste, Não me deixa avançar. Pinto o passado de ouro, Para fugir ao presente, Neste falso tesouro, Que engana toda a gente. Vivo agarrado à memória, Perdendo o dia de hoje, Preso na mesma história, Enquanto o tempo me foge. Olhar para trás não resolve, Nem traz o tempo de volta, A memória não devolve, A chave da minha porta. O presente está à espera, Do passo que não dás, Nesta ilusão de quimera, Que te puxa para trás. Apaga o brilho do ontem, Enfrenta a luz do agora, Os dias que não se contem, Estão a passar sem glória. Pinto o passado de ouro, Para fugir ao presente, Neste falso tesouro, Que engana toda a gente. Vivo agarrado à memória, Perdendo o dia de hoje, Preso na mesma história, Enquanto o tempo me foge. Larga a sombra do passado, Abre os olhos para o dia, Não fiques encurralado, Nesta velha nostalgia. O ontem não volta mais, E o ouro era só poeira, O tempo não dá sinais, Nesta estrada passageira.