Pinto O Passado De Ouro
Pinto o ontem com ouro,
Numa moldura sem dor,
Guardo o passado em tesouro,
Como se fosse melhor.
Esqueço a dor da ferida,
Que o tempo antigo deixou,
Nesta memória fingida,
Do que atrás se ficou.
Idealizo a infância,
O tempo que já passou,
Vendo com esta distância,
O que a vida roubou.
Mas a verdade era dura,
Também havia aflição,
Nesta falsa procura,
De uma boa ilusão.
A saudade é uma armadilha,
Que nos prende ao ontem,
Uma falsa maravilha,
Onde os passos se escondem.
Pinto o passado de ouro,
Para fugir ao presente,
Neste falso tesouro,
Que engana toda a gente.
Vivo agarrado à memória,
Perdendo o dia de hoje,
Preso na mesma história,
Enquanto o tempo me foge.
A dor de antigamente,
A mente prefere apagar,
Deixando só o presente,
Com a vontade de voltar.
Mas o caminho é em frente,
A estrada não anda para trás,
E este olhar insistente,
Não me traz nenhuma paz.
O ontem já não existe,
É só uma sombra no ar,
Esta lembrança tão triste,
Não me deixa avançar.
Pinto o passado de ouro,
Para fugir ao presente,
Neste falso tesouro,
Que engana toda a gente.
Vivo agarrado à memória,
Perdendo o dia de hoje,
Preso na mesma história,
Enquanto o tempo me foge.
Olhar para trás não resolve,
Nem traz o tempo de volta,
A memória não devolve,
A chave da minha porta.
O presente está à espera,
Do passo que não dás,
Nesta ilusão de quimera,
Que te puxa para trás.
Apaga o brilho do ontem,
Enfrenta a luz do agora,
Os dias que não se contem,
Estão a passar sem glória.
Pinto o passado de ouro,
Para fugir ao presente,
Neste falso tesouro,
Que engana toda a gente.
Vivo agarrado à memória,
Perdendo o dia de hoje,
Preso na mesma história,
Enquanto o tempo me foge.
Larga a sombra do passado,
Abre os olhos para o dia,
Não fiques encurralado,
Nesta velha nostalgia.
O ontem não volta mais,
E o ouro era só poeira,
O tempo não dá sinais,
Nesta estrada passageira.