Nesta Marcha Sem Saida

Alexandre Reis
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Digo que sim a toda a gente, Aceito a carga do irmão, E guardo o peito doente, Sem saber dizer que não. Carrego o peso alheio, Com receio de falhar, Neste aperto tão cheio, Onde me vou anular. Para não ver um desgosto, Para manter a amizade, Escondo a dor do meu rosto, E mato a minha vontade. Faço o favor pedinte, Dou o tempo que é meu, Nesta corrida acinte, Onde a razão se perdeu. O medo do julgamento, Faz-me aceitar o calvário, Aumentando este lamento, No meu peito solitário. Para não desiludir ninguém, Destruo a minha vida, Aceito o peso que vem, Nesta marcha sem saída. Digo que sim para fora, Enquanto grito por dentro, A minha alma chora, No meio deste tormento. Fiquei sem margem no dia, Fiquei sem tempo pra mim, Nesta falsa cortesia, Que me empurra para o fim. Sou o alicerce dos outros, A ponte por onde passam, Enquanto estes poucos, No meu cansaço se abraçam. A paciência esgotou, Mas o braço continua, O corpo que se vergou, Nesta promessa tão sua. Para não desiludir ninguém, Destruo a minha vida, Aceito o peso que vem, Nesta marcha sem saída. Digo que sim para fora, Enquanto grito por dentro, A minha alma chora, No meio deste tormento. Ninguém me pergunta a dor, Ninguém me pede licença, Perdi o meu próprio valor, Nesta servidão densa. Dizer não é o resgate, Que o meu peito precisa, Antes que o meu corpo me mate, Nesta frágil camisa. Largo a pedra dos outros, Que nunca foi minha lei, Nesses passos tão poucos, Onde me anulei. Para não desiludir ninguém, Destruo a minha vida, Aceito o peso que vem, Nesta marcha sem saída. Digo que sim para fora, Enquanto grito por dentro, A minha alma chora, No meio deste tormento. Aprende a fechar a mão, Aprende a impor o limite, Salva o teu próprio chão, Antes que a força se esmite. O primeiro "não" vai doer, Mas vai-me libertar, Para eu poder viver, Tenho de me respeitar.