Ficou O Amor Imperfeito

Alexandre Reis
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A casa ficou fria, O silêncio ocupa a mesa, Perdeu-se a velha magia, Nesta sombra de tristeza. Olho a cadeira vazia, Onde o teu corpo sentava, Nesta noite tão sombria, Que o nosso tempo levava. Guardei as tuas palavras, Numa gaveta com chave, Nas promessas que me davas, Com esse olhar tão suave. Mas o vento levou tudo, Deixou a folha rasgada, Neste espaço tão mudo, Nesta casa abandonada. Ainda escuto o teu passo, No corredor da memória, Ainda busco o teu abraço, Para mudar esta história. Escrevi o nosso nome, Na areia junto ao mar, Mas a maré que me consome, Veio tudo apagar. A dor que trago no peito, Não se consegue curar, Ficou o amor imperfeito, E a saudade a ficar. Procuro a tua luz, Na escuridão da cidade, Nesta cruz que me conduz, Ao fundo desta saudade. O relógio bate a hora, Sem me trazer a resposta, A vida que vai embora, Deixa a porta encostada. O tempo não volta atrás, A noite volta a fechar, E esta ausência não traz, A paz que vim procurar. Escrevi o nosso nome, Na areia junto ao mar, Mas a maré que me consome, Veio tudo apagar. A dor que trago no peito, Não se consegue curar, Ficou o amor imperfeito, E a saudade a ficar. Um piano toca ao fundo, A melodia da dor, Desabou o meu mundo, Quando acabou o amor. Se o futuro me chamar, Vou levar esta lembrança, Sem a poder apagar, Nesta réstia de esperança. A chuva cai na janela, Lava o vidro do chão, Fica a memória dela, Presa no meu coração. Escrevi o nosso nome, Na areia junto ao mar, Mas a maré que me consome, Veio tudo apagar. A dor que trago no peito, Não se consegue curar, Ficou o amor imperfeito, E a saudade a ficar. O mar levou o desenho, A noite volta a cair, Sem o amor que eu tenho, Não sei para onde ir. Apaga a luz da sala, O espetáculo acabou, Se o coração já não fala, É porque o tempo levou.