A Invasão que Falhou na Conjugação

Alexandre Reis
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Espanha olhou p'ra cá um dia território, glória, ambição. Mas antes de entrar na via, pediu um curso de expressão. "Que verbo é este, sem sentido? 'Tinha sido estado a fazer?'" "É algo que já tinha ido antes de começar a ser." Anotaram, consultaram, mandaram pedir reforço. Recuaram — e calaram. O verbo venceu sem esforço. Portugal não precisou de espadas, não ergueu muralha nem canhão. As frases foram as emboscadas. O subjuntivo foi o trovão. A invasão não foi vencida, No canhão ou no metal. A Espanha deu-se por perdida, No subconjuntivo original. “Se tivéssemos estado a vir”, Disse o luso ao castelhano. O outro só quis fugir, Com um curto-circuito no crânio. "Se tivéssemos estado a poder vir, teríamos conseguido avançar..." O general desistiu de prosseguir. "E foi-se embora ao jantar." Reuniões paradas no pretérito, ordens presas em conjugação. Cada oficial perdeu o crédito tentando achar a conclusão. Portugal não precisou de espadas, não ergueu muralha nem canhão. As frases foram as emboscadas. O subjuntivo foi o trovão. A invasão não foi vencida, No canhão ou no metal. Pobre tropa confundida, Pela gramática de Portugal. Consta no relatório final, escrito em letra tremida e pequena: "A língua portuguesa é fatal. Recuamos. Boa noite. Cena." Pretérito mais-que-perfeito, Deixou o invasor desfeito. Se a língua é nossa proteção, Quem precisa de um canhão?