Alicerces Esquecidos (Não Me Deixes Para Trás)

Alexandre Reis
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Corremos cegos pela nova invenção Como se o tempo nascesse sem chão Ninguém ergueu o agora do nada Mãos ancestrais sustentam a construção Esqueceram os nomes na multidão Chamando velho a quem deu direção Caminhos cruzados são sangue e suor Antes do brilho existia obrigação Quem fez o presente tentou habitar No mapa do tempo o próprio lugar Se hoje avançamos sem ver o caminho O ontem reclama e não fala sozinho Não me deixes para trás Eu também fiz este lugar Não me deixes para trás Tenho o direito de perguntar (Não me deixes para trás) Os alicerces de amanhã Afinal foram erguidos por quem Hoje está mal Um velho pede desculpa ao falar Antes da dúvida já pede perdão Como se o mundo que ajudou a criar Lhe negasse agora a própria mão Na infância que erra concede-se a mente No idoso que falha há razão A mesma pergunta em corpo diferente Mas o respeito perdeu a função Inovar é abrir um novo caminho Progredir é não deixar ninguém sozinho Se a máquina avança e o homem recua O futuro é pagode, samba, mas a alma está nua Não me deixes para trás Eu também fiz este lugar Não me deixes para trás Tenho o direito de perguntar (Não me deixes para trás) Quem esqueceu os construtores da estrada Deixa a própria história no ponto de entrada Quem ergueu isto merece ter voz Exige o tempo, reclama o lugar Se a memória falhar com os nossos Que amanhã nos resta herdar? Não basta aplaudir o que vem depois Chamar progresso ao que nos exclui Civilização é a soma de dois Quem corre avança, mas quem une inclui Não me deixes para trás Eu também fiz este lugar Não me deixes para trás Tenho o direito de perguntar (Não me deixes para trás) A ponte foi feita para todos passar E o futuro só é futuro Se nos vier buscar Porque quem ergueu isto merece lá estar